A hegemonia da Mercedes em 2026 durou exatamente quatro corridas.
Lando Norris cravou 1:27.869 na Sprint Qualifying de Miami e garantiu a primeira pole position não-Mercedes da temporada. Kimi Antonelli ficou a 0.222s. Oscar Piastri completou o domínio papaia em terceiro. Pela primeira vez no ano, a equipe que vinha dominando todas as sessões de classificação não ocupou a primeira fila.
A pergunta que todo mundo fazia desde a Austrália — “alguém vai conseguir reagir à Mercedes?” — tem uma resposta agora. E ela veio com um pacote de upgrades que transformou o MCL40.
O que a McLaren trouxe para Miami
A equipe de Woking não brincou. Sete peças novas, sendo que seis delas derivam de um assoalho completamente redesenhado. Não foi retoque — foi cirurgia.
O novo assoalho promete mais carga aerodinâmica em todas as condições. Junto vieram sidepods revisados, capô de motor modificado e asa traseira com geometria nova. Andrea Stella chamou de “fase um” do programa de desenvolvimento — o que significa que tem mais vindo.
Norris sentiu a diferença na pista: “É legal sentir um pouco de aderência de novo. Temos muitas atualizações novas no carro.”
A McLaren não apenas igualou a Mercedes — superou. E fez isso no circuito onde a gestão de energia do novo regulamento é mais crítica.
Estratégia de energia: onde Norris ganhou a pole
A análise de telemetria revelou o detalhe que separou Norris de Antonelli.
Na saída da curva 3, Norris canalizou mais potência do MGU-K, ganhando mais de 20 km/h naquele trecho específico. Ele sacrificou um pouco de energia nas retas posteriores, mas o ganho líquido foi positivo. A McLaren encontrou uma forma diferente de distribuir os 350 kW de super clipping que o regulamento 2026 permite — e funcionou.
Não é só carro. É entendimento do novo sistema de propulsão.
Mercedes: surpresa com McLaren e Ferrari
George Russell não escondeu a reação: “É bem surpreendente o salto que McLaren e Ferrari deram. Impressionante.”
A Mercedes fez uma aposta diferente em Miami. Enquanto as rivais trouxeram pacotes pesados de upgrades, a equipe de Brackley se limitou a ajustes menores — uma asa de escapamento e um tweak no tambor de freio. O plano é guardar o upgrade maior para o Canadá.
O problema? Agora estão atrás. Antonelli foi P2, Russell só P6.
Antonelli admitiu que a sessão foi “pretty messy” e que demorou para encontrar o equilíbrio certo nos pneus. Mas mantém a liderança do campeonato com 72 pontos — ainda nove à frente de Russell.
A questão é: quanto tempo essa vantagem sobrevive se McLaren e Ferrari continuarem evoluindo?
Red Bull volta ao jogo — quase
Max Verstappen terminou em quinto. Parece pouco. Mas é progresso.
Em Suzuka, ele nem passou para o Q3 da classificação principal — estava 1.2s atrás de Antonelli. Em Miami, a diferença para a pole foi de seis décimos. Ele mesmo resumiu: “Reduzimos o gap quase pela metade.”
A Red Bull trouxe uma versão própria da asa traseira “flip-flop” que a Ferrari estreou, além de sidepods mais largos com uma rampa no topo para direcionar o fluxo de ar. Verstappen disse que agora consegue “confiar um pouco mais” no carro.
Mas o primeiro setor ainda é fraco. “Somos muito fracos em curvas de alta velocidade. Sabemos que precisamos trabalhar nisso.”
Ferrari: upgrades funcionaram, pneus não
A Ferrari trouxe o pacote mais extenso de todos. Onze mudanças. Asa dianteira nova. Assoalho otimizado. Asa traseira reperfil. Suspensão revisada.
Charles Leclerc liderou o SQ2 e terminou em quarto. Lewis Hamilton ficou em sétimo.
O que deu errado? Pneus.
Leclerc explicou: “No pneu médio, tudo funcionava bem. No soft, não era uma sensação boa.” Hamilton foi mais direto: “Esperava que fôssemos mais fortes.”
A Ferrari tem uma questão de janela de operação. As upgrades parecem funcionar — mas não na hora H, quando todo mundo vai para o soft e espreme tudo. É um padrão que se repete desde o início da temporada.
Para domingo, Leclerc está confiante: “Temos ritmo para ultrapassar. Vamos ver se conseguimos.” Ritmo de corrida sempre foi o ponto forte da Ferrari em 2026. Classificação, nem tanto.
O que a Sprint Qualifying de Miami revela sobre 2026
Três takeaways:
1. A guerra de desenvolvimento está aberta. A Mercedes dominou as três primeiras corridas sem pressão real. Miami mostrou que McLaren e Ferrari encontraram respostas. Red Bull está se aproximando. O campeonato vai ser decidido nos upgrades.
2. Entendimento do powertrain é diferencial. O novo regulamento com 50/50 elétrico-combustão e super clipping de 350 kW premia quem souber gerenciar energia de forma inteligente. A McLaren mostrou uma filosofia diferente — e deu resultado.
3. A classificação ainda é o ponto fraco da Ferrari. Terceiro ano seguido. Mesmo com Hamilton, mesmo com upgrades massivas, a equipe não consegue extrair o máximo em uma volta rápida. É estrutural.
Olhando para a Sprint e a corrida
A Sprint acontece amanhã, sábado, às 13h (horário de Miami). Norris larga na frente com McLaren renovada. Antonelli precisa responder — não pode deixar a McLaren ganhar ritmo psicológico.
A classificação para o GP é no sábado também. Veremos se o que aconteceu hoje se repete ou se a Mercedes encontra ajustes.
O campeonato ainda é de Antonelli. Mas pela primeira vez em 2026, ele não é o favorito para a pole de domingo.
Grid de largada da Sprint — Miami 2026
| Pos | Piloto | Equipe | Tempo |
|---|---|---|---|
| 1 | Lando Norris | McLaren | 1:27.869 |
| 2 | Kimi Antonelli | Mercedes | +0.222 |
| 3 | Oscar Piastri | McLaren | +0.239 |
| 4 | Charles Leclerc | Ferrari | +0.370 |
| 5 | Max Verstappen | Red Bull | +0.592 |
| 6 | George Russell | Mercedes | +0.624 |
| 7 | Lewis Hamilton | Ferrari | +0.749 |
| 8 | Franco Colapinto | Alpine | +1.451 |
| 9 | Isack Hadjar | Red Bull | +1.553 |
| 10 | Pierre Gasly | Alpine | +1.605 |

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