Mercedes F1 moderna com livery Petronas em ação no circuito do GP de Miami 2026 ao pôr do sol

Antonelli vence GP de Miami 2026 e quebra o feitiço da McLaren

A McLaren chegou em Miami como o time da virada. Saiu como vice-campeã do fim de semana. Entre uma coisa e outra, Kimi Antonelli fez história.

O italiano da Mercedes venceu o GP de Miami 2026 segurando Lando Norris por 3.264 segundos, conquistou a terceira vitória consecutiva no ano e se tornou o primeiro piloto da Fórmula 1 a transformar suas três primeiras pole positions em vitórias. Aos 19 anos, líder isolado do campeonato, Antonelli respondeu de domingo a tudo o que a McLaren havia construído de sexta a sábado. E não venceu por força bruta. Venceu por estratégia, sangue frio e um pouco de sorte na hora certa.

E não foi pouco o que a McLaren construiu antes do domingo.

Como o GP de Miami 2026 saiu das mãos da McLaren

Na sexta, Norris foi pole do Sprint Qualifying com 1:27.869, primeira pole não-Mercedes da temporada. No sábado, venceu o Sprint Race liderando uma 1-2 da equipe com Oscar Piastri. Andrea Stella, chefe da McLaren, anunciou que o pacote de upgrades trazido para Miami era só a “fase um” do plano de desenvolvimento. A leitura óbvia era que a temporada estava virando.

Aí veio a quali do GP, sábado à tarde. Antonelli respondeu com pole, sua terceira do ano, com Verstappen em segundo e Leclerc em terceiro.

A largada do domingo foi caos puro. Antonelli e Verstappen travaram pneus na primeira curva. Leclerc se aproveitou e tomou a liderança. Verstappen tocou em Leclerc e rodou 360 graus, caindo na tabela. Na T11, Hamilton e Colapinto também se tocaram. No giro 3, Hadjar bateu na T14 e abandonou; logo depois Gasly e Lawson colidiram, a Alpine de Gasly flipou e Lawson abandonou pelo dano. Hulkenberg também não voltou. Safety car cedo.

Sob bandeira amarela, Verstappen mordeu o anzol da Red Bull e veio aos boxes para pneus duros. Voltou em P16. Foi a decisão que tirou a Red Bull da disputa pela vitória ali mesmo.

A vitória que Antonelli construiu no pit lane do GP de Miami 2026

A largada repôs a Mercedes em P2. A vitória, no fim, veio do pit stop.

Na lap 21, Russell parou para hards. Leclerc parou na sequência, com pit stop lento de 3.7s que tirou margem da Ferrari. Na lap 26, a Mercedes trouxe Antonelli para hards. Norris, que tinha herdado a liderança e abria gap em ar limpo, só parou na lap 28. Quando voltou, voltou atrás do italiano. O undercut funcionou. A McLaren, em ar limpo, foi mais lenta no tempo certo. A Mercedes, em ar limpo do undercut, foi mais rápida no tempo certo. É a definição de vitória por estratégia.

A partir dali, Antonelli liderou. E aí começou o segundo capítulo.

Lap 34: a Mercedes detectou um problema de downshift na caixa de câmbio do carro número 12. Antonelli foi instruído a evitar trocas agressivas de marcha. Sem ter como apertar, viu o gap para Norris encolher volta após volta. Na lap 40, Norris estava abaixo de 1 segundo, com o cronômetro marcando 0.9s no momento mais crítico. McLaren no ar sujo, Mercedes com problema de caixa. A vitória estava jogando 50/50 ali.

O que segurou a corrida foi o que ninguém via. McLaren detectou um problema na asa traseira do carro de Norris e pediu para o piloto esfriar — não dava para empurrar como ele gostaria. Norris recuou. Antonelli respirou. O gap voltou a abrir.

Na lap 47, Antonelli levou o “second strike” de track limits — uma advertência, sem penalidade de tempo aplicada na corrida. Em outro contexto poderia ter custado caro. Naquele domingo, foi só ruído. Ele cruzou a linha 3.264 segundos à frente do segundo colocado.

A história que Antonelli fez no GP de Miami 2026

Três poles, três vitórias. Nenhum piloto da Fórmula 1 tinha convertido as três primeiras pole positions da carreira em vitória.

Hamilton converteu a primeira, errou a segunda. Leclerc converteu a primeira, errou a segunda. Verstappen converteu a primeira, perdeu a segunda. O recorde é silencioso, não rendeu manchete grande, mas para quem acompanha o esporte é o tipo de marca que separa projeto de piloto-de-fato.

E veio numa corrida onde quase tudo conspirou contra: largada caótica em que ele travou na T1, problema de caixa de câmbio na metade da prova, advertência por track limits, Norris colado no retrovisor com McLaren mais rápida em qualquer outro contexto. Aos 19 anos, primeira temporada como titular, Antonelli administrou tudo. É o tipo de domingo que separa piloto rápido de piloto campeão.

George Russell, companheiro de equipe, terminou em quarto e ajudou a Mercedes a abrir o placar do construtores. Não vai virar manchete em Brackley, mas vai render reuniões tranquilas pelas próximas três semanas.

O que o GP de Miami 2026 muda no campeonato

Antonelli era favorito antes de domingo. Continua sendo depois. Mas o jogo ficou mais nervoso.

O resultado de Miami consolida o italiano na ponta do campeonato com 20 pontos sobre Russell. A McLaren saiu com pódio duplo (Norris em P2, Piastri em P3) e a confirmação de que o pacote de upgrades funcionou de verdade — só não bastou para virar a corrida. Verstappen, que largou em segundo, rodou na primeira volta e foi sacrificado pelo pit-stop do safety car, terminou em quinto e voltou a somar pontos relevantes. Hamilton herdou um P6 sólido. A Ferrari, com o pacote mais pesado de upgrades de toda a temporada, escapou do pódio com Leclerc rodando na última volta e ainda levou penalidade pós-corrida que jogou o monegasco para P8. Sobre isso tem outro artigo aqui no blog.

O recado para o resto da temporada é claro. A Mercedes não está errando, e enquanto não errar — mesmo com problema de caixa, mesmo com Norris colado — ninguém tira Antonelli da ponta. A McLaren tem o ritmo, a Red Bull tem a recuperação em curso, a Ferrari tem o pacote, e nenhum dos três conseguiu fazer a Mercedes tropeçar quando importou.

O que esperar depois do GP de Miami 2026

Próxima corrida é o GP do Canadá, dia 24 de maio, em Gilles Villeneuve. Três semanas de pausa para recalibrar tudo.

Para a McLaren, o tempo é amigo. Stella já adiantou que tem mais upgrades vindo, e o pacote de Miami funcionou — só não veio com a estratégia certa. A Mercedes precisa entender o que aconteceu com a caixa do carro número 12 antes de Montreal, ou o filme de domingo se repete sem o final feliz. Para Verstappen, Montreal historicamente foi terreno fértil, e o ritmo de recuperação que ele mostrou em Miami sugere que a Red Bull pode incomodar mais quando a estratégia não trair. A Ferrari tem mais para resolver — e está num artigo separado.

E o piloto da temporada, até prova em contrário, é Antonelli. Três poles, três vitórias, um recorde inédito e um campeonato sob controle. A McLaren chegou em Miami achando que ia ser virada. Saiu sabendo que a virada vai precisar de mais.

Miami foi o aviso.


O traçado do Hard Rock Stadium acabou de entrar para a história da temporada. As 19 curvas, a reta principal, o trecho onde o undercut decidiu a corrida — quem viveu o domingo provavelmente vai querer guardar o desenho da pista. O Quadro Eternal Lap traz o circuito de Miami em impressão 3D, com nível de detalhe que só faz sentido para quem viu cada largada de 2026. Ver os quadros na loja →


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